20/07/09

INCLUSÃO DA CRIANÇA COM SINDROME DE DOWN NO ENSINO COMUM REGULAR




INCLUSÃO DO ALUNO COM SÍNDROME DE DOWN NO ENSINO COMUM REGULAR


SOUZA, JULIANA ALVES DE


INTRODUÇÃO



O presente artigo visa compreender como se dá a inclusão dos alunos com Síndrome de Down no Ensino Regular Comum, bem como sua aceitação ou não pelo grupo ao qual está inserido.
Verificar se as escolas possuem estruturas físicas organizadas de acordo com o exigido por lei, o preparo dos professores tanto emocionalmente, como o embasamento em subsídios teóricos e práticos.
Ainda verificar a socialização do aluno com Síndrome de Down na comunidade escolar e interação, apontar o potencial de aprendizagem deste aluno.
Devido a obrigatoriedade no setor educacional, e por emergir em diversas discussões da área educacional foi que este tema surgiu, com o intuito de investigar como esta sendo o processo de inclusão dos alunos com Síndrome de Down nas escolas de Ensino Regular Comum, outrora os mesmos viviam em total e completa abandono. Eram excluídos nas salas de aulas tanto pelos professores, por não terem formação e capacitação adequadas, como pelos alunos que também não estavam preparados para lidar com a nova situação.
No entanto, ao se falar em inclusão, é preciso explicitar que não se trata de modismo, e nem uma nova tendência educacional, mas sim de um processo essencial à vida humana em sociedade.
Inclusão escolar é a inserção de alunos com deficiências em uma escola que reconhece e valoriza a heterogeneidade dos mesmos, procurando desenvolver as suas diferentes potencialidades por meio de uma prática de ensino flexível e que busca o que há de melhor em cada um, suas aptidões, habilidades e os seus potenciais sem propostas de ensino apartado.
Na inclusão, é a escola que se modifica e passa a se adaptar às necessidades de cada aluno, com deficiência ou não. Incluir requer pensar sempre em novas estratégias, novos métodos, este é processo dinâmico, no qual acontecem erros e acertos, e não uma há fórmula engessada, nem receitas milagrosas que a escola possa usar, e esta escola inclusiva não manda embora os alunos que não se adaptam à ela.
Contudo não se deve confundir inclusão com a proposta de integração, que é o direito que os alunos têm de freqüentar a escola de Ensino Regular Comum, quando apto para isso, onde a pessoa com deficiência é que se adapta à escola.
O presente artigo foi realizado por meio de embasamento teórico: pesquisa documental e bibliográfica. Onde nos próximos anos será desenvolvido entrevistas com professores, diretores e pais dos alunos que estiverem incluídos no Ensino regular Comum.



BREVE HISTÓRICO E CONCEITO DA SÍNDROME DE DOWN



A Síndrome de Down é uma alteração genética caracterizada pela existência de um cromossomo adicional no par 21, daí o porquê também é chamada de trissomia do par 21. Esta ocorre em todas as raças e continentes, acontece numa proporção de 1 (um) caso para cada 600 (seiscentos) nascimentos. É a mais comum e mais conhecida síndrome cromossômica já existente, e foi o primeiro distúrbio cromossômico reconhecido no homem.
Muitos pesquisadores descreveram algumas das características presentes em pessoas com Síndrome de Down, mas somente Jhon Langdon Down fez uma descrição registrando todos os pontos cardinais da síndrome. De acordo com PUESCHEL, (Apud, JHON LANGDON DOWN)
O cabelo não é preto, como é o cabelo de um verdadeiro mongol, mas é de cor castanha, liso e escasso. O rosto é achatado e largo. Os olhos posicionados em linha obliqua. O nariz é pequeno. Estas crianças têm um poder considerável para a imitação. (2007, P.48, apud)
Contudo outras caracterísitcas podem ser notadas logo ao nascimento da criança, tais como: peso de nascimento menor se comparado à criança sem a Síndrome, contudo é extremamente importante ressaltar que, mesmo que a presença dos sinais descritos levante a possibilidade de diagnóstico de Síndrome de Down, é necessário que se faça um diagnóstico completo, visto que tais sinais não são específicos e cada um deles, isoladamente pode estar presente em indivíduos ditos “normais”.
Seja qual for o tipo de Síndrome de Down é sempre o cromossomo 21 o responsável pelos traços específicos e função intelectual limitada observados na maioria das crianças com esta síndrome.
De acordo com Werneck,
[...]. No caso da síndrome de Down, um dos sintomas é a deficiência mental. Em razão do excesso de material genético, provocado pela anomalia cromossômica, várias reações químicas, essenciais ao bom desempenho dos sistemas do organismo, não se fazem de forma apropriada. Mas além das razões de ordem biológica, outros fatores, de ordem ambiental, podem exacerbar ou limitar a função intelectual [...]. (1995, p.60)
A limitação intelectual provocada pela Síndrome de Down, pode e deve ser amenizada pela família, sendo esta é a principal responsável por todos os cuidados que a criança apresenta, e seu desenvolvimento dependerá principalmente do meio em que ela está inserida.



O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO E A APRENDIZAGEM DA CRIANÇA SOM SÍNDROME DE DOWN



Sabe-se que as crianças com Síndrome de Down apresentam algumas limitações, são mais lentas e demoram mais tempo que as outras para atingir a maturidade e desenvolver-se por completo.
Alves diz que, “[...], a Síndrome de Down é classificada como uma deficiência mental, a qual não podemos preestabelecer o limite do indivíduo, mas existe a grande possibilidade de desenvolvimento cognitivo”. (2007, p.38)
Contudo, podem desenvolver inúmeras habilidades – dentro de suas limitações -, não possível então, predizer suas capacidades logo ao nascimento, haja vista que algumas crianças com Down têm um ótimo desenvolvimento cognitivo, pois receberam estímulos desde o seu nascimento e tiveram acompanhamento de diversas terapias.
Portanto ao iniciarem sua vida acadêmica é preciso um cuidado todo especial, pois o trabalho pedagógico específico deverá ser iniciado o quanto antes possível, de preferência já na Estimulação Precoce e na Educação Infantil, pois assim a criança receberá uma estimulação adequada para que possa desenvolver-se mais rápido.
O atendimento feito à criança com S.D.[1] deverá ser realizado de acordo com as situações diárias da mesma, pois é na educação infantil que ela será integrada no meio social, e obterá experiências de convivência com os demais integrantes da comunidade escolar e por fim desenvolverá a autonomia.



A INCLUSÃO DA CRIANÇA COM SÍNDROME DE DOWM NO ÂMBITO ESCOLAR



Toda e qualquer criança com ou sem deficiência tem o direito de freqüentar a escola. E cabe à esta se adequar às necessidades de cada aluno, proporcionando-lhes uma educação de qualidade.
De acordo com a Declaração de Salamanca a educação é um direito de todos e que cada indivíduo tem suas próprias características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem. E a mesma assegura que todos devem ter oportunidades de obter e manter um nível aceitável de conhecimentos.
É importante salientar que, somente as leis vigentes que asseguram a educação a todos, não são suficientes para garantir o acesso à escola e à qualidade de ensino, é necessário que tanto as escolas, quanto a comunidade escolar, se preparem, capacitem para atender às necessidades educacionais dos alunos ali inseridos.
Segundo Voivodic, “[...], quando a criança com S.D. freqüenta escolas regulares, tem ganhos significativos não só em seu desenvolvimento social, mas também em desenvolvimento cognitivo. [...]”. Porem a criança com Down só terá êxito se estiver em um ambiente tranqüilo, agradável, pois a partir do momento em que se sentirem rejeitadas, os efeitos serão prejudiciais ao seu desenvolvimento.
Além do ambiente favorável, também se faz necessário a presença de profissionais preparados para lidar com a nova situação, auxiliando assim todo grupo escolar na resolução de alguns problemas rotineiros no âmbito escolar.
É preciso evidenciar que as crianças com S.D são capazes, e muitas vezes o que as impedem de progredir é o preconceito e prejulgamento que a sociedade faz, é necessário então oportunizar a participação dessas crianças em atividades que as façam se aproximarem e a se relacionarem o máximo possível com outras pessoas.
Contudo para que realmente aconteça a inclusão, é necessário então a (efetiva) participação das pessoas com deficiência, elas precisam estar presentes, que lhes dêem condições para que possam participar das atividades escolares que lhes são propostas.
Além da participação, os alunos com deficiência também necessitam aprender e desenvolver as suas potencialidades, porém para que isso possa acontecer, as pessoas com Down precisam ter oportunidades iguais à das outras pessoas, que sejam valorizadas diante das habilidades que possuem.
A comunidade escolar precisa também conscientizar-se que cada aluno é diferente, tem seu próprio ritmo de aprendizagem e que isto não o impedirá de aprender, de assimilar, de compreender os conteúdos básicos oferecidos pela escola.
Segundo Bibas
[...]. Para realizar inclusão, não é necessário que a professora seja especialista na deficiência apresentada pela criança. Significa sim que a escola e professores precisam adequar seu modo de ensinar, para que cada aluno possa aprender. É preciso explicar as suas características, sem generalizar ou ignorar suas diferenças. A intenção da inclusão não é “igualar” a criança com SD aos colegas, é fazer com que ela aprenda dentro de suas possibilidades. Mas que aprenda (Acesso em 23/08/08, 19H: 32 min)
O preparo do professor está no conhecimento que ele adquire ao se informar mais sobre a deficiência de seu aluno, quais são as suas limitações, o que pode e como deve ser trabalhada as atividades e os conteúdos, pois os professores é que são os mediadores que favorecerem o crescimento e o desenvolvimento dos alunos.
É o professor um dos grandes responsáveis pelo sucesso da inclusão, visto que ele é quem desenvolverá as ações que estarão ligadas diretamente ao processo de inclusão. Ações estas que podem ir de uma simples situação, como lidar com as diferenças e o preconceito advindo por parte dos alunos ou de seus pais, com as limitações dos alunos com deficiência ou até mesmo com as frustrações e ou expectativas da família dos alunos incluídos.
A escola é responsável também pela inclusão social, pois é ela quem tem o poder de transformar a sociedade, de preparar e instruir os cidadãos para o futuro e para o convívio em grupo. É a escola que irá abordar a questão do preconceito, visto que este tema ainda causa certo desconforto quando é colocado em pauta.
A escola é obrigada a aceitar por meio de leis, crianças com deficiência, esta o faz porque lhe é imposto, não porque gosta ou tem afinidades às vezes podem até achar bonito ter um aluno incluído, contudo ainda não criaram uma lei que obriga a sociedade a aceitar de coração as crianças com deficiência. Tal aceitação fica por conta da consciência de cada cidadão, pois a lei o obriga a aceitar, não a amar, a dar o melhor de si ao novo cidadão que acaba de chegar.
As pessoas com S.D. precisam que respeitem as suas habilidades, potencialidades e também de uma educação que desenvolva sua autonomia, para que elas mesmas possam resolver e decidir o que quer em sua vida, contudo se faz necessário que este respeito venha tanto da família a qual pertence quanto da sociedade.



CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com esta pesquisa pode-se constatar que tanto a sociedade, como as escolas ainda não estão totalmente preparadas para acolher e aceitar as pessoas com Síndrome de Down, assim também como outras deficiências, e são poucas as pessoas que fazem algo para amenizar essa situação, ou mesmo ao menos conhecê-las profundamente.
Pode-se notar também que as pessoas com S.D. na maioria das vezes convivem mais com aquelas que fazem parte de seu ciclo familiar, possuem poucos amigos, os colegas de escola é em número muito restrito e vivem praticamente isolados.
No que diz respeito ao âmbito escolar notou-se que estas pessoas estão incluídas no ensino comum, mas os profissionais que são responsáveis pela a educação das mesmas, não estão preparados para atendê-las adequadamente conforme suas necessidades.
No entanto o que pode-se perceber claramente é que se faz necessário mostrar que as pessoas com S.D. têm capacidade de evoluir, basta que acreditem em seu potencial, que os estimulem, que faça do ambiente onde estão inseridos um grande aliado, e que não o exclua dentro da própria escola inclusiva, visto que falar que incluiu um aluno é fácil, difícil é tratá-lo da mesma forma que trata os demais.
Isto é, inclusão não é meramente ocupar um espaço em sala de aula, mas possibilitar que esse aluno tenha estimulação em seu convívio e aprendizado através das atividades compatíveis com as de seus colegas de sala ditos “normais”.



REFERÊNCIAS
ALVES, Fátima. Para Entender a Síndrome de Down. Wark editora. Rio de Janeiro -RJ, 2007.
BIBAS, Josiane Mayr. VALENTE, Maria Izabel. A escola do meu filho entende sobre a Síndrome de Down? Disponível em: http://www.reviverdown.or.br/pagina _aprendiz_escolas.htm. Acesso em 23/08/08, às 19h, 32 min.
SIEGFRIED, M. Pueschel organizador; Síndrome de Down. Guia para pais e educadores. 12 ed. Campinas – SP: Papirus, 1993.
VOIVODIC, Maria Antonieta M. A. Inclusão Escolar de Crianças com Síndrome de Down. 5. ed. Petrópolis – RJ: Vozes, 2008.
WERNECK, Claudia. Muito Prazer eu Existo. 4 ed. Rio de Janeiro – RJ:WVA, 1995.
[1] S.D. Síndrome de Down